Por: Assessoria de Imprensa | Publicado em: 10/09/2020 18:53:45

Leia o artigo do coordenador do CRAVI sobre o Setembro Amarelo, o mês de prevenção ao suicídio


Por Bruno Fedri*

 

No dia 10 de setembro é celebrado o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. O Centro de Valorização da Vida (CVV), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) realizam a campanha #setembroamarelo, de caráter permanente, que tem como objetivo conscientizar a população sobre a prevenção ao suicídio. Falar sobre o tema é sinônimo de cuidado e solidariedade.

Considerando os diversos fatores que podem estar relacionados ao suicídio, entre eles, socioculturais, genéticos, filosóficos, existenciais, ambientais, a Secretaria da Justiça e Cidadania, por meio do Centro de Referência e Apoio à Vítima (CRAVI), também entra nesta luta para atuar na prevenção ao suicídio no Estado de São Paulo. A pasta lança a campanha "É importante falar, viver é a salvação!" para lembrar que conversar é uma das melhores soluções ao combate ao suicídio.

O CRAVI tem um canal de atendimento, seja direto ou indireto, para as pessoas serem acolhidas pelos técnicos do programa. Contato: telefone (11) 3291-2624 ou por meio do e-mail: cravi@justica.sp.gov.br.

Na próxima semana, será promovida uma Live com um especialista sobre o assunto e fará divulgação sobre a prevenção nas redes sociais da SJC e das vinculadas.

Para o secretário da Justiça e Cidadania, Paulo Dimas Mascaretti, é fundamental sensibilizar a população sobre a prevenção e o combate ao suicídio. “Nossas vidas valem a pena. Viver é a salvação. Nossos canais de atendimento estão abertos para ouvir e ajudar as pessoas contra esse mal”, destacou Paulo Dimas.

As estatísticas anuais alertam acerca da necessidade de políticas públicas para com este segmento. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), foram registrados 7% de aumento no número de suicídios ocorridos no país. O perfil, em sua maioria formada por jovens entre 15 e 19 anos, aponta para a urgência de se estabelecer junto a este público estratégias de prevenção e posvenção, especialmente nas escolas, locais onde não raro são testemunhadas as ideias suicidas.

Atendimento psicossocial gratuito
O CRAVI, da Secretaria da Justiça e Cidadania, realiza atendimento psicossocial e jurídico gratuito às vítimas e familiares de crimes graves contra a vida.

De acordo com um levantamento realizado pelo programa, cerca de 30% dos casos atendidos relataram ideias suicidas. Tratam-se de pais e mães de jovens que perderam suas vidas por homicídio e feminicídio, que tentam encontrar alternativas para atravessar um sofrimento particular e doloroso, difícil de expressar, e de se desvencilhar, entre elas, do suicídio.

Os pensamentos sobre o ato de tirar a própria vida são marcados por considerável ambivalência, pois não necessariamente resultam em um ato fatal. Muitas vezes, o que se procura é o alívio de um sofrimento persistente, resultante de um acontecimento traumático, como um acidente ou mesmo a perda violenta de um familiar.

Por meio de escutas individuais ou em grupos, os técnicos do CRAVI estimulam os usuários a falar sobre os efeitos da violência e as ideias de acabar com os problemas utilizando-se de um ato fatal. Desta forma, a equipe tem subsídios para ofertar alternativas de como lidar com os sofrimentos e dificuldades, e construir um percurso de reconstrução de significados para o viver.

O CRAVI também atua fortemente no ambiente escolar, com palestras sobre bullying, violência e prevenção do suicídio.

Em 2019, prestou assistência na Escola Estadual Raul Brasil, após o massacre ocorrido em 13 de março, que resultou na morte de oito pessoas, e realizou rodas de conversa e atendimentos psicológicos em uma escola estadual atingida pelo suicídio de um de seus alunos.

O CRAVI está localizado no Fórum Criminal da Barra Funda. Durante o distanciamento social os atendimentos ocorrem via telefone e videoconferência.

*Bruno Fedri é coordenador do Centro de Referência e Apoio à Vítima (CRAVI), da Secretaria da Justiça e Cidadania.