Trinta e seis adolescentes que cumprem medida socioeducativa em cinco centros de atendimento da Fundação CASA no interior paulista participaram, no início de março, de uma experiência cultural imersiva e tecnológica: uma visita virtual mediada pela Pinacoteca de São Paulo. Com o tema “Do Maracatu ao Funk”, a atividade contemplou adolescentes dos CASAs Sertãozinho, Araraquara, São Carlos, Rio Pardo e Cândido Portinari, ambos de Ribeirão Preto, explorando a música e a dança como veículos que contam a história da formação do povo brasileiro.
A ação foi realizada de forma 100% online, utilizando os recursos tecnológicos dos centros de atendimento. Para garantir a integração de todos, a visita foi reproduzida em telas de TV, permitindo que os jovens acompanhassem os detalhes das obras e as explicações em tempo real. A dinâmica foi conduzida por um arte-educador da Pinacoteca, que utilizou a participação ativa dos adolescentes e suas perguntas como base para contextualizar o acervo e a evolução dos ritmos.
O percurso educativo destacou as origens afrodescendentes do maracatu e do frevo, traçando um paralelo histórico até chegar ao funk contemporâneo. Um dos pontos altos foi a identificação de símbolos culturais comuns, como o uso de sombrinhas (guarda-chuvas), tradicionais no frevo pernambucano e frequentemente presentes na estética dos bailes funk de São Paulo.
A iniciativa partiu de uma articulação da Gerência de Arte e Cultura (GAC) da Fundação CASA, que mensalmente disponibiliza um catálogo de atividades culturais de instituições como a Pinacoteca e o Itaú Cultural. A escolha pelo tema específico buscou aproximar o repertório artístico da Pinacoteca ao gosto musical dos jovens.
Segundo a coordenadora pedagógica do CASA Cândido Portinari, Ivone Karina, a experiência foi extremamente produtiva por revelar conexões históricas desconhecidas pelos jovens. “A apresentação despertou a curiosidade dos adolescentes ao aproximar símbolos utilizados nos dois ritmos. Isso agregou conhecimento e ampliou o repertório musical, fazendo com que eles se sentissem pertencentes a essa troca de saberes”, afirmou.
Além da abordagem histórica, a atividade propôs uma reflexão poética por meio de uma roda de conversa sobre celebrações coletivas. Os jovens foram incentivados a compartilhar memórias de festas populares, como o Carnaval e festas de rua, discutindo o papel desses espaços na construção de amizades e na identidade cultural.
Para a presidente da Fundação CASA, Claudia Carletto, o uso da tecnologia para o acesso à cultura é um passo fundamental na socioeducação. “Proporcionar esse intercâmbio digital com instituições de renome, como a Pinacoteca, permite que os adolescentes expandam seus horizontes sem sair da unidade. Conhecer as influências da nossa música fortalece a autoestima e a compreensão sobre a riqueza da diversidade brasileira”, destacou.