Entre pincéis, cores e histórias que ganham forma, mais de 130 jovens da Fundação CASA, na Baixada Santista, encontram na arte uma nova maneira de se expressar e ressignificar suas trajetórias. A iniciativa, realizada em parceria com o Museu do Café, integra o projeto Café em Casa e promove oficinas de arte-educação que conectam criatividade, identidade e memória cultural, com produção de canecas personalizadas e vivências com o universo do café.
A ação percorre seis centros socioeducativos do litoral paulista entre março e abril. A programação teve início em 17 de março, no CASA Vila de São Vicente, e seguiu no dia 24, no CASA Peruíbe, e em 27, no CASA Guarujá. Na sequência, ocorreu em 31 de março, no CASA Praia Grande II, e em 7 de abril, no CASA Mongaguá. O ciclo foi encerrado nesta terça-feira (14), no CASA Praia Grande I.
Adolescente apresenta desenho que será aplicado na personalização de caneca durante oficina do projeto em parceria com o Museu do Café (Foto: Divulgação/FCASA)
No centro da proposta está a oficina “Canecas que contam histórias”, na qual os adolescentes personalizam peças por meio de técnicas de pintura e desenho. Durante a atividade, utilizam cores, símbolos e elementos gráficos escolhidos por eles mesmos, criando itens únicos que expressam vivências, referências e identidade. O projeto também estimula a autonomia e a experimentação criativa, ao permitir diferentes formas de composição visual e acabamento.
A metodologia adotada tem como base a Abordagem Triangular, desenvolvida pela arte-educadora Ana Mae Barbosa, que integra o fazer artístico, a apreciação estética e a contextualização histórica. Nesse contexto, as práticas relacionam as experiências dos participantes ao universo histórico, social e cultural do café, elemento central na formação do Estado de São Paulo.
Caneca personalizada por adolescente durante oficina reforça expressão de identidade e criatividade (Foto: Divulgação/FCASA)
Além da dimensão artística, a personalização das canecas contribui para o fortalecimento de vínculos afetivos e do reconhecimento identitário. Os itens produzidos são destinados a familiares, ampliando o significado da atividade para além do aspecto estético.
Como parte do encerramento das oficinas, os socioeducandos também participam do preparo coletivo da bebida Caramelo Macchiato, feita com café solúvel, leite em pó, doce de leite e água quente. A proposta proporciona uma experiência sensorial que reforça a conexão com o universo do café e com o acervo histórico do museu.
Bebida Caramelo Macchiato preparada durante oficina do projeto Café em Casa (Foto: Divulgação/FCASA)
As atividades também incluem, ao longo do ano, visitas educativas ao Museu do Café, em Santos, onde os jovens têm contato com o acervo, vivenciam o espaço museológico e ampliam seus conhecimentos sobre a cultura cafeeira, por meio de um curso básico de barista, oferecido pelo Centro de Preparação de Café (CPC) do museu. Para o segundo semestre, estão previstos encontros do projeto em centros socioeducativos da região do Grande ABC.
Para o diretor da Divisão Regional Litoral e Metropolitana (DR2) da Fundação CASA, Osmar Pereira Barreto, a continuidade da iniciativa evidencia a importância da parceria. “Desde 2019, esse trabalho conjunto tem ampliado horizontes e oferecido novas possibilidades aos adolescentes. Trata-se de uma ação estruturada, que contribui efetivamente para o desenvolvimento pessoal e social”, afirmou.
A parceria entre o Museu do Café e a Fundação CASA vem se consolidando como estratégia de ampliação do repertório cultural e pedagógico dos participantes. O projeto Café em Casa promove oficinas como “Studio Aberto”, “Habitar Significados” e “Cercanias”, que abordam temas como pertencimento, patrimônio, paisagem cultural e a cadeia produtiva do café.
“Cada oportunidade oferecida representa uma chance concreta de reconstrução de trajetórias. Ao investir em cultura, educação e experiências significativas, ampliamos horizontes e mostramos que novos caminhos são possíveis. Esse é o nosso compromisso: transformar vivências em possibilidades reais de futuro para os nossos jovens”, destacou o presidente interino da Fundação CASA, Oswaldo Caetano Junior.
“A parceria com a Fundação CASA reafirma o papel da instituição como agente de transformação social, ao promover experiências educativas e culturais que articulam arte, memória e o universo do café, possibilitando que os jovens ressignifiquem suas trajetórias e ampliem seus horizontes por meio da criatividade, do pertencimento e do reconhecimento de suas identidades”, afirma o coordenador de Formação e Educativo do Museu do Café, Henrique Trindade.
Localizado em Santos, o Museu do Café é um equipamento vinculado à Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo e gerido pelo Instituto de Preservação e Difusão da História do Café e da Imigração (INCI).