Em 2006, uma mudança simbólica marcou o início de um novo capítulo na história da socioeducação em São Paulo: a antiga Febem passou a se chamar Fundação CASA — sigla para Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente. Mais do que uma troca de nome, o gesto representou o desejo de romper com estigmas e construir um novo olhar sobre o cuidado, a educação e as possibilidades de futuro para adolescentes em conflito com a lei.
À época, a escolha do nome e do logo foi feita por meio de um concurso entre adolescentes que cumpriam medida socieoducativa, deixando sua marca nesse processo de reinvenção. Desde então, a palavra “Casa” passou a carregar um significado maior: lugar de passagem, de aprendizado, de reconstrução.
Duas décadas depois, a Fundação CASA celebra esse marco com o lançamento do Concurso de Letra de Música – Fundação CASA 20 anos, iniciativa que convida adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa a transformarem suas histórias em canções. As letras podem ser escritas em qualquer estilo musical e devem retratar, com autenticidade, como o acesso à educação, à cultura, à saúde, à profissionalização e ao acompanhamento socioeducativo impactou suas trajetórias.
Organizada pela Gerência de Arte e Cultura, a ação dá continuidade ao espírito participativo do concurso “Dando a Letra” e busca, mais uma vez, colocar os jovens no centro da narrativa institucional — não como personagens de um sistema, mas como autores de suas próprias histórias.
“A mudança de nome foi o começo de uma transformação que segue acontecendo todos os dias, em cada centro, em cada sala de aula, em cada oficina”, afirma a presidente da Fundação CASA, Claudia Carletto. “Celebrar esses 20 anos ouvindo os próprios adolescentes é reafirmar que essa história não é sobre uma instituição, mas sobre pessoas. Sobre como cada jovem pode se reconhecer, se expressar e descobrir novos caminhos.”
O concurso integra essa trajetória de transformação e escuta. As letras podem abordar temas como ensino formal, cursos profissionalizantes, alfabetização, inclusão digital, arte, cultura, cidadania, diversidade, saúde, empregabilidade e a relação com os profissionais da instituição — desde que expressem, com verdade, os aprendizados e as mudanças percebidas pelos próprios adolescentes.
As inscrições começam em 19 de janeiro e seguem até 13 de fevereiro, por meio de formulário eletrônico. As produções podem ser individuais ou coletivas. As melhores letras serão selecionadas por uma comissão avaliadora, com base em três critérios: pertinência ao tema, originalidade e força do refrão.
As composições vencedoras passarão por produção musical profissional, e a proposta é que a música comemorativa dos 20 anos seja construída com a participação direta dos adolescentes em todas as etapas.
“Esse concurso é um convite à memória, à imaginação e ao futuro”, conclui Carletto. “É dizer para esses jovens que suas vozes importam, que suas histórias merecem ser contadas e cantadas.”