Durante o mês de janeiro, adolescentes da Fundação CASA em São Bernardo do Campo, município do ABCD Paulista, tiveram uma agenda de férias repleta de atividades educativas, culturais e de desenvolvimento mental e motor. Oficinas, palestras, rodas de conversa e visitas a museus e espaços culturais movimentaram o período do recesso da educação escolar. A programação contou com atividades dentro e fora do centro de atendimento.
Uma das ações realizadas dentro do centro socioeducativo foi a oficina de artes plásticas com uso de materiais recicláveis. Foram realizadas pinturas em tela com colagem de objetos, criando peças com diversas camadas e profundidades. As peças produzidas se tornaram presente e foram entregues aos familiares dos adolescentes.
No âmbito artístico, na oficina de pintura em panos de prato, os jovens aprenderam técnicas de aplicação de tinta em tecido, contorno, sombreamento e combinação de cores. Um workshop de fotografia e uma oficina de confecção de pipas também contemplaram as atividades artísticas do mês.
As palestras ministradas no centro de atendimento promoveram experiências únicas. Uma equipe do Centro de Controle de Zoonoses, por exemplo, realizou uma palestra, em que tratou da fauna local, indicando a importância e os perigos do contato com os animais. Eles orientaram sobre quais são peçonhentos ou venenosos, os cuidados necessários e o que fazer quando entrar em contato com as espécies. Além disso, os palestrantes levaram animais como ratos, aranhas, insetos e pássaros, além de diversas outras espécies conservadas em formol para demonstração.
Uma equipe do Centro de Referência e Apoio à Mulher Márcia Dangremon (CRAM) levou uma palestra com o tema “Violência de Gênero”, em que discutiu aspectos importantes que impactam na formação da identidade dos adolescentes, como o papel do homem na sociedade; as relações familiares; formas de acolhimento; empatia; e as dificuldades enfrentadas pelas mulheres, como a violência doméstica e o abuso psicológico. O foco foi ajudar os jovens a identificar os reflexos dessas ações dentro da sua realidade e convivência social.
Outra palestra importante discorreu sobre as religiões de matriz africana, contando sua história, contexto, cultura, valores e fé, abordando temas como intolerância religiosa e a importância do respeito à crença, e como o racismo é a principal causa do ódio e estigma contra essas religiões.
A agenda de férias contou ainda, de forma complementar, com atividades fora do centro socioeducativo. Em uma das excursões, os adolescentes realizaram uma visita guiada ao Palácio dos Bandeirantes, a sede do Governo do Estado e moradia do Governador Tarcísio de Freitas, na cidade de São Paulo. Os guias locais apresentaram as áreas abertas à visitação e o Acervo dos Palácios, onde está instalada a exposição “São Paulo – Paris: A Descoberta de Tarsila do Amaral”, que apresenta diversas obras da artista modernista, incluindo a conhecida “Operários” e outras como “Autorretrato I” e “Retrato de Mário de Andrade”.
Um grupo de jovens da Fundação CASA São Bernardo também visitou os estúdios da Rede Record, em São Paulo, onde conheceram a estrutura da emissora. Outro foi à Bienal das Artes no Parque Ibirapuera. Houve ainda visitas ao SESC Guarulhos, na cidade da Região Metropolitana de São Paulo, e à exposição de Hip-Hop do SESC 24 de Maio, na capital paulista.
Segundo o coordenador pedagógico do centro, Luís Carlos Benigno, os jovens aguardam ansiosos o período de férias escolares, pois contempla uma grande diversidade de atividades e novos conhecimentos. “As ações recreativas colaboram para a construção de vínculos entre adolescentes, familiares e servidores, e ensinam que é possível aprender brincando, criando novas possibilidades de crescimento e desenvolvimento saudável”, explicou.
“Proporcionar a esses adolescentes acesso ao esporte, lazer e cultura proporciona novas perspectivas, além de um repertório muito maior de realidade para eles encararem o mundo quando ocorre a ressocialização. Ações como essa constroem identidade e colaboram para uma sociedade mais justa e segura”, afirmou a presidente da Fundação CASA, Claudia Carletto.