Cerca de 200 adolescentes atendidos em oito centros socioeducativos da Fundação CASA na região de Ribeirão Preto, assim como aproximadamente cem servidores da instituição, poderão visitar até o dia 30 de janeiro de 2026 a exposição itinerante Direitos Humanos e Democracia: Educar para a Cidadania, realizada pelo Memorial da Resistência, museu da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas de São Paulo, numa parceria interinstitucional. A mostra traz em nove ilustrações em linguagem lúdica e de cordel, criadas pelo artista João Galera, com interpretações de temas da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Inaugurada no dia 10 de dezembro, quando se celebrou o Dia Internacional dos Direitos Humanos, a exposição itinerante está instalada na área administrativa da subsede da Divisão Regional Interior (DR4), uma das quatro administrações localizadas da Fundação CASA, localizada no Complexo de Ribeirão Preto, no município do interior paulista. Os jovens beneficiados cumprem medida socioeducativa de internação e semiliberdade nas cidades de Ribeirão Preto, Sertãozinho, Franca, Araraquara e São Carlos.
A itinerância é integrada a ações desenvolvidas pela equipe de Ação Educativa do Memorial da Resistência, que buscam contribuir para a formação cidadã desses jovens, tornando-os mais conscientes sobre seus direitos, discutindo a importância da luta em favor da memória, da justiça e dos princípios democráticos.
Jovens atendidos em Ribeirão Preto acompanham explicações dos educadores do Memorial da Resistência
Cinco jovens atendidos em centros do Complexo de Ribeirão Preto acompanharam a inauguração e estrearam as visitas à mostra. “Nunca tinha ido a uma exposição e curti bastante, porque os quadros (ilustrações) explicam os direitos. O que mais me chamou a atenção foi o quadro sobre ninguém ser submetido à tortura ou nenhum tratamento cruel”, explicou um dos jovens que compareceu à mostra. “Aqui eu aprendi sobre direito que eu não sabia que tinha, como a vontade do povo (direito ao voto) e saúde e bem-estar.”
“Eu não sabia que tinha direito a ir num centro de cultura, nem entendia sobre democracia, e, na exposição, vi que são direitos que tenho”, completou outro adolescente. “É um aprendizado que fica para a vida.”
Servidores participaram de capacitação no dia anterior à inauguração da exposição
Na véspera da inauguração da exposição, servidores da Fundação CASA que atuam na região, entre profissionais das áreas pedagógica e da segurança, participaram de uma formação com a equipe educativa do Memorial, para poderem atuar como facilitadores ao acompanhar os adolescentes nas visitas ao acervo.
Aureli destacou a importância da estratégia da itinerância do Museu
Segundo a coordenadora do Programa de Ação Educativa do Memorial da Resistência, Aureli Alves de Alcântara, o museu tem o compromisso com os direitos humanos e a itinerância é uma estratégia para fazer os conteúdos chegaram aos municípios distantes da sede do Memorial, localizado na capital paulista. “Quisemos trazer essa discussão para os adolescentes da Fundação CASA, educando-os para os direitos humanos, para que entendam que eles são para todos, além de compreender as consequências de ter esses direitos velados e a necessidade de lutar para que sejam efetivados”, afirmou a coordenadora.
Diretora da Divisão Regional Interior ressaltou o impacto positivo de tornar a exposição acessível
A diretora da Divisão Regional Interior, Edneia Reganham, destacou a universalidade dos direitos humanos e a necessidade de luta pela sua concretização. “Em todos os lugares que trabalhamos e atuamos é importante zelarmos pelos direitos humanos, porque são muito negligenciados ainda. Conhecer a fazer valer os direitos humanos é de vital importância para os adolescentes que atendemos”, avaliou.
Servidores poderão atuar como facilitadores dos jovens
Para a presidente da Fundação CASA, Claudia Carletto, a realização da exposição itinerante é um marco na histórica parceria com o Memorial da Resistência, que vem desde 2018. “A equipe educativa e o museu sempre proporcionam aos jovens que atendemos espaços que impactam positivamente, para que eles se reconheçam como cidadãos e, assim, venham a contribuir com a construção de uma sociedade mas justa e segura”, concluiu a presidente.
A série de ilustrações da exposição itinerante foram criadas por João Galera em 2021, para compor o Caderno de Experiências do Curso Intensivo de Educação em Direitos Humanos: Memória e Cidadania, publicação desenvolvida do Memorial da Resistência, e apresentam temas como saúde, trabalho, cidadania, participação social, comunicação não violenta, dentre outros.
As obras de Galera são acompanhadas por trechos do documento aprovado pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) junto a frases inspiradas no texto Ser Humano é, do escritor, ilustrador e designer Fábio Sgroi, discutindo sobre formas de como é possível contribuir para um mundo melhor para todas as pessoas.
João Galera é um artista visual brasileiro que trabalha com diversas linguagens, como pintura, bordado, crochê, costura e performance. Já realizou exposições coletivas e individuais no Brasil, EUA, México e Espanha. Atualmente, cursa Doutorado em Artes e Educação pela Universidade de Granada, Espanha.