Foi observando o trabalho gráfico de outro jovem que um adolescente atendido pela Fundação CASA Guayi, em Guarulhos, teve uma ideia. Ele havia feito um curso online de programação e enxergou uma conexão entre aquela linguagem visual e o que havia aprendido. Começou a imaginar uma forma de juntar as duas coisas — e resolveu propor uma oficina.
"Mesmo fazendo algo simples, a ideia acabou incentivando outras pessoas a participarem também e a compartilharem suas vivências", disse ele.
O que era uma iniciativa individual virou ação coletiva. Outros adolescentes do centro socioeducativo se juntaram ao projeto, e a oficina de quadrinização foi realizada durante o período de férias com 11 participantes.
"A Fundação CASA existe para garantir que esses jovens tenham a chance de se descobrir. Quando um adolescente propõe uma oficina, convence colegas a participar e transforma tudo isso em uma experiência coletiva de criação, ele está exercendo protagonismo de verdade. Está desenvolvendo habilidades, construindo autoconfiança e enxergando um caminho para além do ato infracional. É para isso que trabalhamos todos os dias", destaca presidente da Fundação CASA, Claudia Carletto.
Nos encontros, os jovens criaram histórias a partir de temas escolhidos por eles mesmos — primeiro emprego, bullying, privação de liberdade, amizade e histórias de vida. Aprenderam a elaborar roteiros, criar personagens, organizar cenas e trabalhar com edição básica de imagens e áudio.
"Teve muita risada nessa hora, porque enquanto a gente fazia, cada um ia falando o porquê daquele quadrinho. Foi assim que a gente tirou as ideias e conseguiu fazer as histórias", contou o adolescente.
Para o agente educacional Diego Frederico, a experiência mostrou o que acontece quando esses jovens encontram espaço para se expressar. "Quando o adolescente consegue transformar a própria vivência em narrativa, ele passa a se enxergar de outra forma. A oficina permitiu que eles refletissem sobre suas histórias, questionassem escolhas e percebessem que não estão limitados a um único caminho", afirmou.
Confira abaixo as histórias desenvolvidas pelos adolescentes do CASA Guayi (todos os nomes são fictícios):