Jovens da Fundação CASA Chiquinha Gonzaga, centro de atendimento feminino localizado na capital, concluíram, na última quarta-feira (28), uma rodada de oficinas do projeto piloto Procurando Saber. Realizado pela Procuradoria Geral do Estado de São Paulo (PGE/SP), a iniciativa tem como objetivo levar procuradores voluntários para fomentar o conhecimento do sistema de justiça em escolas públicas, visando a aprofundar o conhecimento sobre os direitos e deveres fundamentais do cidadão, incentivar a reflexão crítica sobre a justiça, bem como oportunizar o exercício de habilidades de interpretação de texto, argumentação e exposição.
Recentemente premiado pelo Instituto Innovare como umas das iniciativas transformadoras de 2025, o projeto foi realizado na Fundação CASA em três sessões, nos dias 14, 21 e 28 de janeiro, contemplando 15 adolescentes. As atividades foram conduzidas pelas procuradoras voluntárias Suzane Ramos Rosa e Ana Paula Vendramini, com o apoio das assessoras Julia Carvalho Junqueira e Lizandra Aguiar.
Durante a primeira visita, foi realizada uma roda de conversa para apresentar o trabalho que seria desenvolvido e para que todas as participantes pudessem se conhecer, criando assim, um ambiente acolhedor e seguro. Após esse momento, houve um bate-papo sobre o que as adolescentes entendiam como justiça e se leis são suficientes para tornar a sociedade justa. Esclareceu-se o papel de juízes, desembargadores e ministros, além de se explicar a atuação de instituições como os Ministérios Públicos, as Defensorias Públicas e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da própria Procuradoria Geral do Estado. As adolescentes também tiveram a oportunidade de esclarecer dúvidas e compreender como o sistema de Justiça pode contribuir para o acesso a direitos, para além de uma ótica exclusivamente punitivista.
No segundo encontro, foi proposta uma dinâmica em que as jovens interpretaram representantes do sistema judiciário, em um julgamento simulado. Divididas em cinco grupos, representaram o MP, a DP, a PGE, a OAB e o Tribunal de Justiça (TJ). As Procuradoras do Estado apresentaram um caso baseado em um processo real para análise: uma família de baixa renda, com uma filha de cinco anos diagnosticada com uma doença degenerativa, que necessitava de um medicamento de alto custo não fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), sem condições financeiras de arcar com as despesas.
De acordo com a coordenadora da Superintendência Pedagógica, Débora Suely Silva, que acompanhou as atividades, as adolescentes demonstraram grande envolvimento ao longo da proposta. “Foi incrível o engajamento das meninas, desde as argumentações até o veredito daquelas que representaram o papel de juízas. As procuradoras elogiaram muito as performances”, destacou.
No último encontro, as participantes vivenciaram mais uma simulação de um julgamento pelo sistema judiciário. Desta vez, o caso abordado foi um pedido de desapropriação de um imóvel para a implantação de uma nova linha de metrô, diante da resistência da população religiosa local. Ao final da atividade, as jovens que representaram o Tribunal de Justiça atuaram na construção de uma solução que buscasse conciliar os interesses de ambas as partes.
"Este projeto é muito relevante para a Procuradoria Geral do Estado, porque, para além de levarmos uma nova perspectivas sobre o sistema justiça aos adolescentes da Fundação Casa, também saímos de lá extremamente impactados pela visão de mundo deles, pelos questionamentos que nos trazem e pela experiência vivada junto com os jovens, em especial na atuação deles durante os julgamentos simulados", destacou a procuradora do Estado, Suzane Rosa, uma das participantes do projeto.
Olhar para o futuro
Em 2025, o projeto Procurando Saber também foi apresentado como projeto piloto aos jovens do CASA Juquiá (centro masculino), como resultado de um diálogo iniciado em 2022, após experiências positivas da iniciativa em escolas públicas estaduais. Nesta edição, a ação foi realizada em um centro feminino, com o objetivo de ampliar a diversidade do público atendido, e prevê expansão para outros centros da Fundação CASA.
Para a presidente da Fundação CASA, Claudia Carletto, o projeto tem grande potencial transformador. “Apresentar a essas adolescentes o funcionamento do sistema de Justiça e colocá-las em contato com seus direitos e deveres fundamentais amplia significativamente sua compreensão de mundo, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e segura”, afirmou.
Sobre o “Procurando Saber”
Criado pela PGE/SP, em conjunto com a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP), o Procurando Saber é uma iniciativa inédita e totalmente voluntária que leva procuradores do Estado para dentro das salas de aula da rede pública. Com uma abordagem acessível, por meio de jogos, dinâmicas lúdicas e bate-papos, o programa estimula o pensamento crítico dos jovens e os aproxima do funcionamento do Sistema de Justiça. Em dezembro de 2025 o projeto conquistou o Prêmio Innovare na categoria Advocacia.
Sobre a Fundação CASA
A Fundação CASA, vinculada à Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania, aplica medidas socioeducativas conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE). Atendendo jovens de 12 a 21 anos incompletos em São Paulo, a Fundação executa medidas de privação de liberdade e semiliberdade determinadas pelo Poder Judiciário, garantindo os direitos previstos em lei, pautando-se na humanização e contribuindo para o retorno do adolescente ao convívio social.