“O Erik de ontem não imaginaria viver tudo o que o Erik de hoje conquistou.” Foi assim que Erik Henrique Brito Gonçalves, de 19 anos, começou a contar sua história de transformação. Atendido pela Fundação CASA, ele passou pelo CASA Irapuru I em 2024, centro socioeducativo da Instituição no município de Irapuru, e, desde então, vem construindo uma nova trajetória marcada por trabalho, estudo e planos para o futuro.
Atualmente, Erik trabalha em uma marca de roupas country e cursa o técnico em enfermagem. Segundo ele, as primeiras oportunidades surgiram ainda dentro do centro socioeducativo, mas foi a decisão pessoal de mudar que fez tudo se encaixar. “Cumprir a medida foi como uma providência divina. Eu só tive acesso a essas oportunidades por causa das equipes do Irapuru I, mas a escolha de agarrá-las foi minha”, afirma.
Erik conta que sua primeira passagem pela Fundação CASA, em 2022, aos 16 anos, foi breve e pouco significativa para ele. “Eu não dei muito valor. Acabei voltando em 2023. Na segunda vez, comecei a pensar diferente.”
Foi então que ele decidiu se dedicar aos cursos de educação profissional oferecidos no centro. Um deles, de customização de camisetas e bonés, promovido pelo Senac, um dos parceiros da Fundação CASA, despertou um talento que ele nem sabia que tinha. “Eu pensei: ‘o que eu vou fazer com isso lá fora?’. Mas deixei esse pensamento de lado e me entreguei.”
O curso incluía o Festival de Moda, uma competição com desfile e premiação para as melhores coleções. Erik acabou sendo escolhido para desfilar. “Disseram que eu levava jeito, que poderia investir na carreira de modelo. Aquilo mudou tudo para mim.”
A partir dali, novos planos começaram a surgir. Ao mesmo tempo, ele se aproximou das ações do Programa de Assistência Religiosa (PAR), com a participação da Assembleia de Deus e da Universal. “Muita gente era da minha cidade. Eles viraram como uma segunda família. Me ouviram, me orientaram e me disseram para procurar a igreja quando eu saísse. E eu fui.”
Pouco antes da desinternação, Erik conseguiu um emprego. “Eu sou eu por eu mesmo. Quando surgiu a vaga, eu fui atrás. Achei que não iam me contratar por causa do meu passado, mas me deram uma chance. E eu agarrei.”
Os primeiros dias fora da Fundação CASA foram decisivos. “As antigas amizades voltaram, oferecendo as mesmas coisas de antes. Eu dizia não, falava que estava mudado, que estava indo para a igreja. Até que eles pararam de insistir. Ali eu vi que conseguiria seguir.”
Mesmo assim, ele reconhece que não foi fácil. “A nova jornada é mais difícil. Teve momentos em que desanimei, mas pedia ajuda às pessoas da igreja, e isso me dava forças.”
No início de 2026, quase dois anos após a saída da Fundação CASA, Erik foi convidado a voltar ao CASA Irapuru I para dar seu testemunho aos adolescentes. “Eu tinha acabado de receber a oportunidade de fazer o curso técnico de enfermagem. Foi quando me chamaram para falar da minha história.”
Agora, ele pretende retomar o sonho da carreira de modelo. “O pessoal do Senac me procurou para eu seguir nessa área e talvez até inspirar outros jovens que vão participar do Festival de Moda deste ano.”
Além disso, Erik faz trabalhos como chapeiro em uma lanchonete, usando os conhecimentos adquiridos em outro curso profissionalizante realizado durante o cumprimento da medida socioeducativo. “Toda vez eu penso: ainda bem que eu deixei aquele pensamento de lado, de ‘para que isso vai servir?’. Hoje eu trabalho, estudo e tenho oportunidades. Isso muda tudo.”
Para a presidente da Fundação CASA, Claudia Carletto, a trajetória de Erik mostra o que a socioeducação pode provocar quando encontra alguém disposto a mudar. “A Fundação CASA abre portas, mas quem atravessa é o jovem. O Erik aproveitou cada oportunidade que apareceu, mesmo quando parecia pequena ou sem importância. Isso fez toda a diferença. A história dele mostra que não é sobre apagar o passado, mas sobre construir um futuro possível, passo a passo, impactando diretamente em uma sociedade mais justa e segura para todos.”
Sobre a Fundação CASA
A Fundação CASA, vinculada à Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania, aplica medidas socioeducativas conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE). Atendendo jovens de 12 a 21 anos incompletos em São Paulo, a Fundação executa medidas de privação de liberdade e semiliberdade, determinadas pelo Poder Judiciário, garantindo os direitos previstos em lei, pautando-se na humanização, e contribuindo para o retorno do adolescente ao convívio social. Mais informações em: https://fundacaocasa.sp.gov.br/.