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Fundação CASA amplia acompanhamento no pós-medida e lança projeto Seguindo em Frente para garantir continuidade de estudos e tratamentos de saúde

Nova iniciativa complementa o Programa Depois do Amanhã, que já soma mais de 1,6 mil adesões em todo o Estado

28/01/2026
Foto ilustrativa

O projeto surge como complemento ao Programa Depois do Amanhã (Fotos: Divulgação/Fundação CASA)

A Fundação CASA lançou, nesta segunda-feira (26), o Projeto Seguindo em Frente, iniciativa voltada ao acompanhamento de adolescentes e jovens após a extinção da medida socioeducativa, com foco na continuidade dos estudos e de tratamentos de saúde iniciados durante o período de internação ou semiliberdade.

O projeto surge como complemento ao Programa Depois do Amanhã, principal política de acompanhamento pós-medida da instituição, que já registrou 1.639 adesões em todo o Estado de São Paulo até dezembro de 2025.

Levantamento da Fundação CASA mostra que a maior parte dos adolescentes atendidos pelo Depois do Amanhã tem entre 15 e 17 anos (800 jovens), seguida por jovens de 18 anos ou mais (811). Apenas 28 adolescentes tinham entre 12 e 14 anos no momento da adesão. Do total, 1.574 são do sexo masculino e 65 do sexo feminino.

Os dados também revelam que a maior concentração de adesões ocorre no interior do Estado, que reúne 984 jovens, seguido pela Grande São Paulo (401), litoral (176) e capital (78). 

Segundo a presidente da Fundação CASA, Claudia Carletto, os números reforçam a necessidade de ampliar estratégias de acompanhamento no período de transição para a vida fora do sistema socioeducativo. “Esses dados mostram que a maioria dos adolescentes está em uma fase decisiva da vida, em que interromper estudos ou tratamentos pode significar perda de oportunidades e aumento de vulnerabilidades e, consequentemente, da reincidência. O Seguindo em Frente nasce exatamente para evitar esse rompimento”, afirma.

Diferenças e complementaridade entre os programas
Criado com a participação direta dos próprios adolescentes, responsáveis pelo nome e pela identidade visual, o Programa Depois do Amanhã oferece acompanhamento técnico por até seis meses aos jovens que aderem voluntariamente após a saída da Fundação CASA. O foco está na reconstrução do projeto de vida, no acesso a direitos como educação, saúde, lazer e trabalho, e na prevenção da reincidência.

Já o Projeto Seguindo em Frente tem atuação distinta e complementar. Ele prevê o acompanhamento automático de adolescentes e jovens que, mesmo sem aderir formalmente ao Depois do Amanhã, estejam matriculados em cursos técnicos ou de ensino superior iniciados durante a medida socioeducativa, e em tratamento de saúde que demande continuidade após a saída da instituição.

O projeto também permite o acompanhamento temporário das famílias de adolescentes que aderiram ao Depois do Amanhã, mas deixaram de responder aos atendimentos, oferecendo orientação e articulação com a rede pública por até dois meses.

“O Seguindo em Frente não substitui o Depois do Amanhã. Ele entra exatamente nos casos em que a extinção da medida pode interromper um processo já em andamento, seja na educação ou na saúde. É uma resposta técnica e objetiva para garantir continuidade”, explica a presidente.

Perfil dos adolescentes atendidos
Os dados do Programa Depois do Amanhã também apontam o perfil social dos adolescentes acompanhados. Até dezembro de 2025, a maioria se autodeclara parda (928), seguida por branca (483) e preta (222). Há ainda registros de adolescentes amarelos (4) e indígenas (2).

O Projeto Seguindo em Frente está alinhado ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), ao Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE) e às diretrizes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), reforçando a articulação entre educação, saúde e assistência social no pós-medida. A iniciativa começa a ser apresentada às Divisões Regionais e aos Centros de Atendimento da Fundação CASA em janeiro de 2026.

O que é o pós-medida?
O pós-medida é a etapa de acompanhamento do adolescente ou jovem após a extinção da medida socioeducativa, quando ele retorna ao convívio familiar e à comunidade. Previsto como diretriz pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), pelo ECA e pelo SINASE, esse período é considerado decisivo para a prevenção da reincidência.

Dados internos da Fundação CASA indicam que quando o adolescente não reincide nos primeiros 60 dias após a saída do sistema, as chances de reincidência posterior caem significativamente. É justamente nesse intervalo  marcado pela volta para casa, pela retomada da rotina e pelo acesso a serviços no território – que se concentram os maiores riscos e, ao mesmo tempo, as maiores oportunidades de proteção.

O acompanhamento pós-medida busca garantir que o jovem não fique desassistido nesse momento de transição, apoiando a continuidade dos estudos, tratamentos de saúde, acesso a políticas públicas e construção de um projeto de vida fora do sistema socioeducativo, em articulação com municípios e a rede de serviços locais.

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