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Servidor da Fundação CASA transforma paixão pelo xadrez em oficina pedagógica para adolescentes em Caraguatatuba

Iniciativa conduzida pelo agente socioeducativo Eduardo Rosa fortalece disciplina, raciocínio lógico e desenvolvimento emocional de jovens em medida socioeducativa em centro do litoral norte

26/02/2026
Foto ilustrativa

Servidor observa dois adolescentes sentados frente a frente enquanto disputam uma partida de xadrez sobre uma mesa pequena, com o tabuleiro posicionado entre eles (Foto: Divulgação/FCASA)

No silêncio atento de cada partida, entre movimentos calculados e decisões estratégicas, adolescentes da Fundação CASA em Caraguatatuba descobrem que o tabuleiro pode ensinar lições que vão além do jogo. O que começou como preparação para uma competição tornou-se uma ferramenta permanente de aprendizado e desenvolvimento dentro do centro socioeducativo.

Implantada neste mês de fevereiro, a oficina de xadrez é conduzida pelo agente de apoio socioeducativo Eduardo Rosa e acontece duas vezes por semana, com duração de uma hora por encontro. Atualmente, dez jovens participam da atividade, todos iniciantes na modalidade. As aulas começaram com a apresentação das regras básicas, dos movimentos das peças e da importância estratégica de cada peça no jogo.

Eduardo está no CASA Caraguatatuba há dois anos e joga xadrez há oito. Para ele, o projeto representa a concretização de um objetivo antigo. “Desde 2011, quando ainda prestava serviço como motorista para a instituição e não integrava o quadro de servidores efetivos, já tinha o desejo de implantar o xadrez como ferramenta socioeducativa. Após ser aprovado no concurso público, consegui desenvolver a oficina em centros de Itaquaquecetuba e São José dos Campos. Ao chegar em Caraguatatuba, entendi que era o momento de iniciar o projeto aqui também”, afirma

Professor de xadrez, que ministra aulas particulares e participa de torneios na região do Vale do Paraíba, o servidor destaca os resultados percebidos ao longo do trabalho. “O xadrez ensina a pensar antes de agir. Cada jogada exige análise de prós e contras. Tenho observado avanços na disciplina, na concentração e na forma como eles refletem sobre as próprias atitudes”, ressalta.

Adolescentes sentados em mesas individuais jogam xadrez em uma sala do centro socioeducativo, com paredes azuis e iluminação natural, concentrados nas partidas.Adolescentes participam da oficina de xadrez conduzida pelo agente socioeducativo Eduardo Rosa, atividade que integra as ações pedagógicas permanentes do centro (Foto: Divulgação/FCASA)

Um dos jovens participantes, Lucas (nome fictício) destaca a importância da atividade no dia a dia. “Nunca tinha jogado xadrez antes. No começo achei difícil, mas agora percebo que preciso ter calma e pensar antes de fazer cada movimento. Isso tem me ajudado a refletir mais antes de tomar decisões”, conta.

A prática contribui para o desenvolvimento cognitivo e emocional dos participantes. Além de estimular o raciocínio lógico e a memória, o xadrez auxilia no controle da ansiedade e da impulsividade, fortalece a paciência e ensina a lidar com vitórias e derrotas de maneira equilibrada.

A diretora do CASA Caraguatatuba, Renata Requena de Andrade, destaca a relevância da iniciativa. “O xadrez trabalha raciocínio, concentração e respeito às regras. São aprendizados que ultrapassam o tabuleiro e fortalecem a formação dos adolescentes”, afirma.

Em 2025, o primeiro contato dos jovens com o xadrez teve como foco principal a preparação para o Torneio Estadual de Xadrez da própria instituição. O CASA Caraguatatuba conquistou o título da fase regional e garantiu o segundo lugar na categoria masculino infantil (12 a 15 anos) na etapa estadual. Os resultados, aliados às mudanças comportamentais observadas nos participantes, reforçaram a importância de consolidar o projeto como ação pedagógica permanente. Com isso, a oficina passou a integrar oficialmente as atividades socioeducativas regulares do centro, ampliando seu papel para além da competição e fortalecendo o processo formativo dos socioeducandos.

Para a presidente da Fundação CASA, Claudia Carletto, iniciativas como essa estão alinhadas à missão institucional. “Nosso papel é reintegrar adolescentes à sociedade, oferecendo oportunidades reais de desenvolvimento pessoal e educacional. Quando investimos em atividades que estimulam disciplina, reflexão e responsabilidade, contribuímos diretamente para a construção de uma sociedade mais segura e mais justa”, destaca.

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