Cinquenta e duas adolescentes que cumprem medida socioeducativa na Fundação CASA Chiquinha Gonzaga, na capital paulista, participaram, no dia 21 de março, de uma ação de saúde voltada ao cuidado feminino e à educação sexual. A iniciativa reuniu clínicos gerais, dermatologistas e ginecologistas em atendimentos individuais, além de uma palestra sobre métodos contraceptivos e autoconhecimento do corpo feminino.
A ação foi promovida pela ONG Semente da Saúde, fundada em 2011, que atua junto a populações em situação de vulnerabilidade social, entre elas moradores de rua, crianças e adolescentes de comunidades carentes e população carcerária. A coordenação, no âmbito da Fundação CASA, ficou a cargo da Unidade de Atenção Integral à Saúde do Adolescente (UAISA) – Divisão Regional Metropolitana Capital (DRCAP), com apoio da Superintendência de Saúde, por meio da Gerência de Saúde.
A abordagem do tema busca ampliar o acesso de adolescentes em medida socioeducativa a informações sobre saúde sexual e reprodutiva, incluindo métodos contraceptivos e acompanhamento profissional com especialistas. A ação também abordou o conhecimento do corpo feminino, com orientações para identificação de alterações e busca por atendimento, além de incentivar o diálogo sobre o tema durante a puberdade.
Além das consultas, o encontro contou com a participação de estagiárias de medicina, que abordaram temas ligados à saúde feminina. Para a diretora do CASA Chiquinha Gonzaga, Keila Costa, o modelo representa um avanço no acesso a serviços especializados. "Essa parceria permite que as adolescentes sejam atendidas por médicos especialistas no próprio centro, sem precisar encaminhá-las para outros equipamentos de saúde", destacou.
Para a jovem Marina (nome fictício), atendida no CASA Chiquinha Gonzaga, a palestra foi enriquecedora para o autoconhecimento. "Recebemos muitas informações interessantes sobre a vacina do HPV, que agora se estende a ambos os sexos. Também aprendemos sobre os cuidados que devemos ter com nossos parceiros e aprofundamos o conhecimento sobre infecções sexualmente transmissíveis, das quais não fazia ideia que existiam", relatou.
A presidente da Fundação CASA, Claudia Carletto, ressaltou a autonomia como objetivo central da iniciativa. "Saúde não é privilégio, é direito. E, mais do que atendimento médico, queremos que essas meninas se sintam vistas, acolhidas e capazes de cuidar de si mesmas", afirmou.
O acesso à saúde é garantido a toda a população brasileira pela Constituição Federal, independentemente da condição jurídica ou social.